Você sabe qual é a história por trás do Mês do Orgulho?

O dia 28/06 e a importância de saber como chegamos até aqui.

No dia 28 de junho diversos países celebram o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+! É uma data de comemoração, alegria, e, principalmente, de luta. Na história da humanidade, grupos marginalizados sempre precisaram se dedicar para conquistar seus direitos, sejam eles mais complexos ou básicos, como ser chamado pelo nome que se identifica ou de se relacionar com quem deseja. Mas você sabe o que fez com que essa data ficasse marcada?

A Revolta de Stonewall: um marco, mas não o início.

Há exatos 52 anos, em 28 de junho de 1969, o mundo era diferente. Situações relacionadas à homofobia e transfobia eram comuns – em alguns casos, inclusive, amparadas pelas leis locais. Pessoas gays, lésbicas, travestis, transexuais e drag queens, embora presentes no mundo todo, se viam obrigadas a ficar reclusas em determinados locais ou grupos – afinal, segurança em primeiro lugar. Se sentir bem e confortável com quem está ao seu lado é uma prioridade que vem logo em seguida.
E era exatamente isso que o Stonewall Inn proporcionava. Quando as pessoas estavam lá, podiam se beijar, andar de mãos dadas, dançar e, acima de tudo, ser quem desejavam ser.

Stonewall Inn
Stonewall Riot, NY Daily News Archive via Getty Images.

É importante dizer que o bar não era perfeito. Preços exorbitantes e drinks de qualidade duvidosa não eram nada surpreendentes. Entretanto, aquele espaço, mesmo não sendo tão grande ou barato, era o lugar mais aconchegante que muitas pessoas tinham acesso – e isso já era suficiente para se tornar um dos espaços mais queridos de toda Nova Iorque e um verdadeiro pedaço de paraíso para toda uma população tão carente desse tipo de entretenimento.

Ainda pensando no mundo em 1969, é válido ressaltar que naquele tempo, era praticamente um crime não ser heterossexual, e justamente por isso – além do forte preconceito, é claro – a repressão policial era muito frequente. Os responsáveis pelo Stonewall Inn, inclusive, pagavam diretamente aos policiais para passarem despercebidos pela fiscalização e manterem o estabelecimento funcionando. Entretanto, mesmo com esses acordos, não foi suficiente para manter os policiais afastados naquele fatídico sábado.

O estopim.

No dia 28 de junho de 1969, ao invés de aparecer mais cedo e em um momento em que o bar estivesse mais vazio, como de costume, os policiais entraram no espaço num horário em que a casa estava lotada. De acordo com frequentadores que estavam lá, a polícia, de maneira bruta, ameaçou prender os empregados por venda ilegal de bebidas e os clientes por suas roupas e comportamentos “inapropriados”. O público, por sua vez, teve uma rápida resposta: reagir, provocar e atirar o que estivesse à mão.

Esta revolta, é claro, não começou e nem terminou neste dia. Foi uma reação após uma vida inteira de raiva, sentimentos reprimidos e humilhações constantes. Encabeçado por mulheres trans e drag queens negras e latinas, a intenção deste ato não era ferir nenhum policial, mas sim fazer barulho – e isso elas conseguiram muito bem.

Marsha P. Johnson

“Enquanto meu povo não tiver seus direitos em todos os EUA, não temos razão para celebrar”.
Marsha P. Johnson, drag queen e uma das primeiras a jogar uma pedra nos policiais.

Os dias seguintes.

Se antes a regra era se esconder para se proteger, depois deste dia o jogo mudou. Nos dias seguintes à revolta no bar, pessoas LGBTQIA+, de diferentes origens e classes socioeconômicas, foram às ruas de Nova Iorque lutar pelos direitos desta comunidade e para chamar atenção para a causa – o que também trouxe diversos debates em todo o mundo.

A primeira Parada.

Um ano depois, na mesma data, foi celebrada a primeira parada de orgulho LGBTQIA+ do mundo, tinha um nome diferente, mas a ideia era a mesma que continua até hoje. Vale dizer que manifestações pelos direitos dessa comunidade já existiam antes, mas nunca de forma tão aberta e com tantas pessoas unidas e em busca dos mesmos objetivos.

Mas e no Brasil?

O Brasil é responsável pela maior parada do mundo! A Parada de Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo acontece anualmente e é conhecida por encher um dos endereços mais famosos do mundo, a Avenida Paulista, com membros da comunidade, trios elétricos e muita alegria. Em 2018, o público da Parada foi de 3 milhões de participantes.

Já em termos de história, é muito importante entender como tudo começou. Em 1997, a Associação da Parada do Orgulho LGBT realizou a primeira edição em São Paulo, com o tema “somos muitos, estamos em várias profissões”. O evento reuniu cerca de 2 mil participantes e ficou marcado, também, pela luta: Kaká di Polly, uma das drag queens mais importantes na história LGBTQIA+ do país, deitou no meio do asfalto da Avenida Paulista para impedir que os carros tomassem a rua e permitisse que os trios elétricos pudessem sair.

Lembrar, agradecer e celebrar.

Se hoje o dia 28 de junho é celebrado, é importante entender as razões, pessoas e nomes que fizeram com que isso tudo fosse possível. Todas as conquistas devem ser comemoradas, assim como todas as injustiças merecem ser combatidas.

Durante anos, a comunidade LGBTQIA+ do mundo inteiro sofreu repressões, preconceitos, ofensas e até agressões apenas por serem quem eram ou por amarem quem desejavam amar. Hoje em dia, muitos direitos já foram conquistados, mas a luta continua: pela representatividade, pelo desejo de vermos mais pessoas da sigla prosperando e por um mundo melhor, sem injustiças, sem preconceito, sem distinção de raça, gênero ou orientação sexual e, claro, por um mundo com mais amor.

Afinal, we’re here, we’re queer and we’re not going anywhere!

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