Como criar um processo de design?

Quando um profissional inicia a sua carreira no design ele é recebido por uma enxurrada de informações, conceitos, teorias e terminologias que, a princípio, são um pouco difíceis de assimilar. O resultado disso é que quando começamos um projeto, podemos ficar com uma grande interrogação na cabeça: e agora, por onde começar?

Acredite, todos que estão envolvidos em criação, marketing, desenvolvimento de produtos ou qualquer outro tipo de projeto já passaram por isso.

Neste cenário, é muito importante entendermos as etapas necessárias para alcançarmos o resultado esperado, diminuindo o retrabalho e sendo bem mais assertivos em nossas decisões. Por esse motivo é muito importante entendermos o processo de design.

O processo de design separa o profissional que tem uma forma estruturada de resolver problemas daquele que não tem convicção dos passos que serão dados, sem a certeza do resultado. Entendendo como o processo de design funciona, ele pode ser aplicado em qualquer projeto, desde um simples impresso, um layout de website até uma identidade visual completa.

Claro que dependendo da finalidade, os passos do planejamento podem ser diferentes, porém a sua essência estrutural é sempre a mesma.

 

Passo 1 – Compreensão do problema:

O primeiro deles é bastante simples, porém muitos profissionais acabam pulando esta etapa, causando problemas no projeto e, na grande maioria das vezes, retrabalho desnecessário.Ele consiste em compreender o problema que deve ser resolvido. Entender a fundo as metas do projeto, o que ele quer alcançar, qual o público, o perfil da concorrência. É literalmente entender o que está sendo feito e a finalidade do projeto. Para fazer isso, você precisa fazer duas coisas: pesquisas e entrevistas.

A pesquisa pode ser feita de diferentes formas. Basicamente através de buscas na internet, leituras a respeito do cliente, perfil de usuários, mercado e concorrência. É essencial estudar o tom de voz do cliente, a forma com que ele se comunica e qual a opinião dos usuários a respeito dessa empresa ou serviço. Esse trabalho pode ser feito através de uma imersão nas redes sociais desta companhia, é necessário aprender o máximo possível sobre ela.

Já as entrevistas podem ser conduzidas com funcionários que trabalham nesta empresa, e você pode tentar entender através da perspectiva deles qual a visão da cultura do local ou da instituição. É importante entender o que eles fazem e o que eles pretendem alcançar. Algumas entrevistas também podem ser feitas com os clientes desta empresa, a fim de entender quais os pontos positivos e negativos, suas frustrações e sentimentos a respeito desta marca. Trabalhando como um agente externo, muitas vezes estes clientes podem trazer informações que não revelariam para algum funcionário da empresa, por exemplo.

 

Passo 2 – O brainstorming e idealização:

Esta é feita através de brainstorming e documentação de diversas ideias. A melhor forma de chegar nelas é se desprender do conceito de que deve-se apenas registrar as boas ideias e concentrar-se somente na quantidade. Esse exercício é muito importante, pois muitas vezes temos um amor à primeira vista com a nossa ideia inicial, mas devemos explorar diferentes soluções, pois muitas coisas surgem quando estamos por muito tempo imersos no projeto. Se possível, é interessante dividir esse processo de idealização em fases. Por muitas vezes se faz necessário tirarmos um tempo após o processo de brainstorming, buscando atividades que nos tirem da imersão inicial, assim mantemos sempre as ideias frescas e conseguimos uma visualização mais clara das alternativas. Nesta fase do processo, as ideias devem ser rascunhadas através de sketches, sejam de forma digital ou analógica. Desde wireframes para websites, estruturas de diagramação para impressos ou criação de logotipos, todas elas devem ser rascunhadas para uma melhor visualização e avaliação. Assim, é possível filtrar e entender qual dessas ideias é a melhor para resolver o problema inicial.

 

Passo 3 – Defendendo sua ideia:

Através da estruturação e prototipação da ideia selecionada, deve-se fazer uma apresentação desta solução para o cliente ou equipe. E nela é importante traçar a defesa da ideia, ou seja, demonstrar de forma clara todo o processo. Apresentar as dificuldades, o perfil do cliente e o porquê aquela é a melhor forma de resolver o problema. Se possível, mostrar através de dados a defesa do projeto, explicando como foi feita a fase de pesquisas, entrevistas e os seus resultados.

A meta fundamental desta fase é colher feedbacks. Por muitas vezes o designer acha que vai acertar de primeira, mas é muito importante compreender que, apesar das pesquisas, esta ideia foi construída a partir do seu ponto de vista. É muito importante colher este feedback com imparcialidade, a empatia é o maior segredo durante este processo. É entender que precisamos escutar para evoluir.

Após colher e documentar o feedback, o quarto passo do processo é refinar o design, melhorar todos os pontos que precisam de atenção e fazer os ajustes necessários e, só assim, finalizar e entregar o projeto.

É fundamental compreender que o terceiro e quarto passo podem se repetir algumas (ou muitas) vezes durante o processo.

Precisamos entender e, muitas vezes, aceitar que um projeto de design nunca está completo. Mesmo após ser finalizado, entregue, publicado (ou impresso), pode-se sempre reaprender com ele e visualizar melhorias que ainda podem ser feitas.

Projetos podem (e devem) sempre evoluir, passar por melhorias e resultar em um design melhor com processos melhores.

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